Wednesday, November 11, 2009

PSD: lenta decadência ou rápida redenção?


Há mais de um ano que não escrevo sobre o PSD. Faço-o hoje porque penso que, passado este ciclo eleitoral, devo assumir uma posição sobre o actual estado do Partido. No início do próximo ano, com um calendário ainda a definir, o destino do PSD estará novamente em discussão. Discussão necessária e premente, tanto a nível nacional, como a nível regional ou local. Como ficou demonstrado recentemente, o PSD continua longe de constituir uma alternativa, de merecer a confiança da maioria dos portugueses para ser governo. Se bem que esta “via-sacra” do PSD não seja recente, ameaça hoje tornar-se numa lenta decadência. Os sintomas são evidentes, para quem não se recuse a ver o que é óbvio: ao longo dos últimos 15 anos, temos visto um decréscimo de importância do PSD em termos globais, com particular incidência nos meios urbanos, na classe média e nos segmentos etários mais jovens, um envelhecimento do seu eleitorado e uma falta de competitividade na atracção de pessoas.
Causas? Muitas e variadas. Mas, na minha óptica muito pessoal, as lideranças e a falta de um (efectivo!) projecto diferenciador são as mais fortes.
Há um ano, apesar de não ter apoiado esta liderança, reconheço que o PSD tentou recuperar alguma seriedade e credibilidade. Esse esforço materializou-se numa vitória eleitoral nas eleições europeias. Mas, para ganhar o País, isso não basta! Para além destes atributos, há que ter ambição, projectos concretos e diferenciadores e mostrar capacidade de realização. Nisso, o PSD falhou. Infelizmente, não demonstrou unidade (antes evidenciou algum sectarismo), não mostrou capacidade de atracção de quadros, apresentou (conscientemente) um programa minimalista e pouco atractivo e apostou num estilo de campanha que, como se viu, não parece ser o mais adequado para convencer e entusiasmar o eleitorado. Política é também (hoje e sempre) emoção!
Por isso, o PSD de terá de fazer escolhas! Escolhas cujo impacto será ainda maior que as que foram feitas há ano e meio. Em termos de conteúdo e de forma. No conteúdo, o PSD tem de apresentar um projecto, uma visão estratégica para o País que queremos daqui a 10 anos! E, para isso, deve fazer uma revisão urgente do seu programa, ideia de Marques Mendes, “congelada” pelas lideranças posteriores. Terá que assumir um conjunto de opções, baseadas numa visão moderna do Estado e da Sociedade, que coloca as Pessoas no centro da actividade política e lhes dá poder de decisão e uma cultura de exigência – na Economia, na Justiça, na Educação, na Saúde. Que coloca as capacidades de inovação dos Portugueses como grande aposta desta geração. Que crie aqui um espaço seguro, transparente, justo e competitivo que nos dê liberdade e responsabilidade, para que possamos ter os mesmos resultados que outros portugueses, lá fora, vão atingindo para nosso orgulho e satisfação. É ousado? Certamente! Mas não é mais do que muitos países da Europa fizeram com sucesso nos últimos 15 ou 20 anos, enquanto nós, em Portugal, resolvemos continuar a empobrecer à sombra de um Estado centralizador, arcaico e ineficaz.
Em termos de forma, o PSD tem de decidir se quer ser o partido mais conservador e “cinzento” do espectro partidário português ou se quer ser um partido dinâmico, desafiante, reformista, que quebre o status quo e concretize as reformas há muito prometidas. Fala-se de renovação e mesmo de rejuvenescimento. Concordo, mas penso que isso não é a questão essencial. Sinceramente, não me preocupa a idade das pessoas. Preocupa-me, sim, a idade das suas ideias. Preocupa-me que enfrentemos os desafios de 2010 com as ideias e as receitas de 1995 ou de 1999. Preocupa-me que não saibamos aprender com os erros do passado e que não tenhamos imaginação (ou coragem!) para clarificar as nossas opções estratégicas.
De uma forma simples: o PSD tem de trabalhar (primeiro) e mostrar (depois) que é uma parte da solução e não uma parte deste imenso problema em que se tornou Portugal.

Friday, October 30, 2009

Alentejo: uma agenda para a atractividade regional


O início de um novo ciclo político deve ser encarado como um momento propício à mudança. Tanto a nível nacional como regional. O Alentejo atravessa um momento crítico para a definição de estratégias concretas. É necessário que a faça! Perguntar-me-ão como fazer? Ou se a forma de o fazer será através da sempre polémica Regionalização? Devo clarificar que na minha óptica, frequentemente, os modelos são o menos importante. Acredito sinceramente que deva existir um patamar de decisão entre os municípios e o poder central, até porque muitas decisões têm efectivamente impacto e escala regional. Agora é importante que qualquer solução a implementar seja simples, funcional e não crie uma nova burocracia regional como o que foi proposto no final da década de 90. Deverá ter princípios de democraticidade, fomento da participação e subsidariedade em relação aos municípios.
Mas, deixando as questões da forma para o momento mais oportuno (não tardará), passemos ao conteúdo. Aqui, para mim a escolha é clara: há que definir estratégias ambiciosas viradas para a atractividade. De uma forma sintética e simples, há que atrair famílias, profissionais qualificados, empresas e turismo. Diz-se que o Alentejo está na moda. É verdade, mas apenas para a modalidade de fim-de-semana de lazer, eventualmente prolongado. Não chega! Há que trabalhar os factores de atracção: a qualidade de vida e o potencial de crescimento dos eixos económicos que definirmos como prioritários (ex. turismo, cultura…).
Aqui, muito há a fazer com vista a construir estes factores. Pensando na atracção e fixação de Famílias e Profissionais, num cenário de médio prazo, de 2 a 5 anos, a agenda dos decisores políticos regionais poderia estar focalizada nas seguintes políticas e intervenções:
- Criar planos regionais e municipais de marketing territorial, sustentados nos traços diferenciadores das cidades/ sub-regiões, no sentido de promover a atractividade local;
- Estruturar uma política de aldeias, vilas e cidades com prioridade na regeneração urbana e na recuperação do edificado, no âmbito de estratégias de recuperação rápida dos centros históricos (através de soluções inteligentes como os Fundos de Desenvolvimento Urbano);
- Promover a oferta de habitação a custos controlados nos centros urbanos, através de políticas de solos e de licenciamento inteligentes;
- Desenvolver políticas fiscais (muito) favoráveis à instalação de famílias, através de instrumentos como o IRS, o IMI, o IMT e as taxas urbanísticas;
- Desenvolver estratégias de “urbanismo de proximidade” e de animação dos centros históricos em termos comerciais e culturais, promovendo o aproveitamento e a fruição dos espaços públicos; a atracção de actividades criativas poderá ser um instrumento pertinente para a boa execução estas estratégias.
- Aproveitar as actuais (e futuras) acessibilidades para atracção de negócios e profissionais para quem a variável logística seja um factor de decisão.

Nada disto é complicado ou utópico. Com as condições básicas, uma vila ou cidade média no eixo Lisboa-Madrid, a uma hora e meia da capital portuguesa, deve assumir-se como uma opção de vida para quem neste momento (sobre)vive nos subúrbios lisboetas. E muitos portugueses, essencialmente nos segmentos etários mais jovens, estão dispostos a fazê-lo. Mas teremos de ser nós, Alentejanos, a construir os nossos factores de atracção. Precisa-se de muita cooperação regional e intermunicipal! Sem conservadorismos inúteis e com muita ambição!

Saturday, October 17, 2009

Vox Populi (Jornal Registo - 12/10/2009)


Sinceramente, na sociedade democrática em que vivo, sempre tive como máxima que o povo tem sempre razão. Sempre! Quando brinda o meu lado com vitórias retumbantes como quando inflige dolorosas derrotas. Como tal, os resultados obtidos, por muito injustos que por vezes possam parecer, são sempre merecidos, fruto de algo – seja da substância (candidatos, programas), seja da forma (campanhas e formas de comunicação).
Neste longo período de campanhas eleitorais que agora terminou, ouvi dezenas ou (ou mesmo centenas) de desabafos, comentários, aplausos ou críticas aos muitos protagonistas políticos que desfilaram no palco mediático. Tenho-os em muita consideração! Representam a voz do povo, muitas vezes pequenas impressões avulsas que significam mais que longas dissertações. Tentei sintetizar algumas que representam, para mim, a sabedoria popular que ninguém na actividade política devia esquecer. Aqui vão aquelas que para mim são mais evidentes:
As pessoas querem clareza.
O povo não gosta de tabus. Nos últimos 15 anos penalizou muitos protagonistas políticos por causa disso. A clareza nas ideias e nas intenções é essencial. As pessoas querem ouvir e saber se determinado candidato “quer ou não quer maioria”, “o que vai fazer com os votos”, “que alianças fará”, “que postura terá na oposição”. Como opinião pessoal, acrescento que qualquer candidato a primeiro-ministro só teria a ganhar se decidisse apresentar a priori a sua equipa (pelo menos, nos lugares-chave do governo) – demonstraria confiança, capacidade e coragem.
As pessoas querem ouvir falar de problemas concretos
Não é por acaso que os partidos que maiores subidas registaram nas últimas legislativas foram os mais acutilantes em termos de temas concretos (segurança, desemprego, sobrevivência das PME’s) que, realmente, estão nas preocupações do dia-a-dia. Mesmo acusados frequentemente de populismo, não mudaram o registo e a avaliação dos eleitores está à vista.
As pessoas querem saber “como” e “porquê”
Cada vez mais, pergunta-se como e porquê no que concerne às soluções apresentadas. Felizmente, muitos eleitores estão mais exigentes na forma como interpretam as propostas. Tantas vezes que eu ouvi “isso é o que todos dizem” ou “isso é o que todos querem, mas como é que ele vai fazer isso?”…sinal que a preparação política e o real conhecimento dos “dossiers” é hoje essencial.
As pessoas querem políticos genuínos e transparentes
Os eleitores não gostam de artificialidades. Os políticos devem mostrar-se como são na realidade e não com “máscaras” que caem facilmente ao primeiro abanão. “Olha para o ar dele(a)” é um comentário de desconfiança legítima, ainda muito escutado nas últimas semanas.
As pessoas querem responsabilidade e consensos mínimos
Quantas vezes não ouvimos já o desabafo “eles não se entendem!”. Por muito que respeitem a luta política, as pessoas não apreciam ódios de estimação e elevados níveis de conflitualidade que afectam, não raras vezes, os limites do respeito. Quem não tem cabeça fria e vai por esta via, paga sempre por isso.
As pessoas querem políticos com sentido de compromisso
Os políticos que estão sempre prontos para qualquer lugar e vêm os cargos apenas como trampolim não vão longe. Até podem ter sucesso na primeira vez mas, com o tempo, a sua falta de ética e compromisso virá ao de cima.
Como tal, quem procura respostas para êxitos ou fracassos não necessita, na minha óptica, de contratar onerosos gurus e pseudo-especialistas de comunicação política. Basta ouvir (sem preconceitos) a voz do povo.

Monday, September 28, 2009

Teletrabalho ao serviço do desenvolvimento do Interior (Jornal Registo 28/09)


Não é a primeira vez que escrevo sobre teletrabalho e, provavelmente, não será a última. Acredito convictamente que é uma “janela de oportunidade” que as regiões do interior, e o Alentejo em particular, não estão ainda a aproveitar convenientemente. Como é sabido, o Teletrabalho é uma forma de trabalho exercida à distância, de forma autónoma, utilizando tecnologias de informação e comunicação que asseguram um contacto directo (se necessário, em tempo real) entre o teletrabalhador e empregador. Este paradigma tem beneficiado essencialmente das inovações tecnológicas verificadas nos últimos anos (ex. banda larga, aplicações informáticas em ambiente web, entre outras).
Trata-se de uma inovação que torna o factor geográfico não tão decisivo como dantes. Qualquer pessoa, cuja actividade não pressuponha qualquer interacção ou atendimento presencial, poderá efectuar o seu trabalho longe da sede física da sua empresa. Ou, se for um trabalhador por conta própria, poderá prestar serviços controlados e avaliados à distância para a sua entidade cliente. Como tal, qualquer teletrabalhador poderá, em teoria, residir numa aldeia do Alentejo e trabalhar, a tempo inteiro ou parcial, para uma empresa sedeada no Porto ou em Barcelona.
Muitas serão as funções profissionais susceptíveis de aderir ao teletrabalho, de uma forma regular ou pontual. Desde funções mais tecnológicas (ex. analistas, programadores, gestores de redes), de gestão (ex. supervisores comerciais, controladores de gestão) ou outras (ex. designers, tradutores, técnicos de contas), muitas serão as áreas pertinentes para expansão desta nova realidade. Também é de sublinhar o seu importante papel social em proporcionar a integração profissional de pessoas com graus de deficiência motora que afectem gravemente a sua locomoção.
O Teletrabalho pode ser exercido a partir de casa ou de telecentros (espaços preparados tecnologicamente, autênticos escritórios-satélites). Mas não se pense que se trata apenas de ter um computador com acesso de banda larga à Internet: tal pressupõe uma infra-estrutura tecnológica colaborativa com voz e som, salas de reunião virtuais, partilha de aplicações (ERP’s, CRM, bases de dados empresariais, etc), replicando o ambiente encontrado numa empresa tradicional.
Em muitos países, o teletrabalho tem crescido de forma impressionante. Por exemplo, na administração federal dos EUA, a aposta tem sido evidente (quem tiver curiosidade, pode aprofundar este conhecimento em www.telework.gov). Naturalmente, esta nova realidade abre oportunidades enormes para a criação de empregos e para a fixação de pessoas em regiões mais desfavorecidas, tradicionalmente, não eram beneficiadas pela geografia ou pela abundância de recursos. Uma nova variável entra em consideração pelos profissionais e as empresas: a qualidade de vida. Regiões que proporcionem boas condições para uma vida familiar saudável e para um bom equilíbrio entre a componente pessoal e profissional – ex. oferta cultural - serão as mais favorecidas.
Será, pois, essencial a criação de telecentros ou de outras infra-estruturas de serviços partilhados, que poderão, a título de exemplo, ser fruto do esforço conjunto de universidades, associações empresariais, autarquias e outros agentes. Também será pertinente (penso ser mesmo inevitável daqui a uns anos) a utilização da fiscalidade como instrumento de incentivo para o teletrabalho.
Dito isto, é importante passar da discussão estratégica à execução. O tão falado e debatido Plano Tecnológico poderá ter aqui um bom caso de sucesso.

Carlos Sezões

Monday, September 14, 2009

“Políticas de Juventude”: uma farsa? (Jornal Registo 14/09)


No advento de um novo período de campanha eleitoral, este é, naturalmente, o tempo do surgimento dos programas e propostas por parte dos partidos políticos. E, quase de forma generalizada, é imprescindível que nas últimas páginas dos referidos programas apareça um pomposo capítulo dedicado à “Juventude”. Sob um qualquer título generalista, é debitado, frequentemente, um conjunto de declarações de princípios, sempre louváveis e consensuais, a incontornável “aposta nos jovens”, a convicção que “são o futuro de Portugal”, entre outras pérolas. E, depois, um conjunto alinhado de objectivos/ medidas/ anseios, geralmente avulsos, e baseados na maioria das vezes numa lógica de paternalismo e subsídio-dependência.
Tendo sido até há cerca e dois anos atrás (com orgulho!) dirigente de uma juventude partidária, tenho o “à vontade” e algum conhecimento de causa para falar desta matéria e, com as honrosas excepções de alguns programas, classifico este fenómeno como uma farsa autêntica.
Primeiro, porque as políticas que servem os jovens são transversais. Encaro-as em 3 grandes grupos: a educação/ formação/ cultura, a empregabilidade, a habitação. Um conjunto integrado de políticas, desdobrado em medidas concretas, devia basear-se, primeiro, na identificação de entropias que bloqueiem o crescimento pessoal/ profissional dos jovens e actuar cirurgicamente sobre elas. Dou deste já alguns exemplos: a qualidade do ensino enquanto estímulo para a aprendizagem e aquisição de novas competências, uma oferta cultural para estimular o sentido crítico e a participação cívica, a abertura do mercado de trabalho e a facilidade de inserção e progressão, no início da carreira, um mercado de arrendamento flexível para quem deseja constituir família ou iniciar uma vida independente…entre muitas outras. Tratam-se, claro está, de políticas que devem ser alinhadas pelo Estado central mas também, de forma sequencial, executadas/ especificadas pela administração local, à medida de cada realidade territorial. Um política de juventude verdadeira teria esta arquitectura e seria controlada e avaliada pelos resultados nas diversas áreas. E, nestas, a médio prazo, seria pertinente incluir o grau de atractividade do País para jovens estudantes/ profissionais estrangeiros que aqui se estabelecessem e viessem a enriquecer, com a sua diversidade, o nosso capital humano.
Naturalmente, que tudo isto não se consegue sem poder de decisão, com vista a alinhar e assegurar a coerência de políticas tão transversais. E aqui, o estatuto político, o cargo de suporte, é essencial. Infelizmente, este governo resolveu juntar no mesmo saco, Juventude e Desporto. Na prática, a juventude tem sido um apêndice neste penoso mandato de 4 anos, sem qualquer realização concreta digna de registo. Uma nota pessoal: apenas dei pela existência do actual secretário de estado, Laurentino Dias, quando este apareceu alvoroçado na comunicação social, por causa do processo disciplinar a um jogador do Benfica (Nuno Assis), já o mandato do governo ia quase a meio (!)…isto diz tudo!
Rematando e concluindo: Políticas de Juventude são pertinentes e necessárias! Mas devem ser concretas, integradas e executáveis, não apenas meros desabafos resultantes da má consciência de quem as apregoa.

Tuesday, September 01, 2009

Dois “Portugais”? (Jornal "Registo" - 31/08)


Desde já a minha devida e indispensável “declaração de interesses”: para quem não saiba, sou militante do PSD e irei votar no projecto político do meu partido no próximo dia 27 de Setembro. Dito isto, não posso deixar de, com desprendimento emocional, me interrogar sobre os discursos e as “narrativas” políticas que temos ouvido nos últimos meses em Portugal.
Para o Governo PS, Portugal é hoje um país na crista da onda em termos de opções de futuro. É o país das tecnologias nas escolas, das energias renováveis, da administração pública online e do e-government, do Simplex, das Novas Oportunidades, das políticas sociais arrojadas, do TGV, dos carros eléctricos, enfim, um país num frenesim reformista que lhe garantirá o sucesso nas próximas gerações. Tudo isto é, naturalmente, louvável.
Do outro lado, temos, para a oposição, um retrato extremamente duro (e real) de um país com défices de educação e literacia tremendos, com uma justiça indescritível em termos de ineficiência e morosidade, um sistema de saúde que tarda em reorganizar-se para os níveis de serviço pretendidos, com uma economia pouco competitiva e com um endividamento externo brutal, que poderá comprometer o futuro das próximas gerações.
Em que ficamos? O problema é simples: é que, por muito que custe e o Governo actual não admita, o “primeiro Portugal” que mencionei dificilmente tem dimensão e força para puxar pelo segundo. É uma gota de água! O primeiro é um Portugal levemente conjuntural, o segundo, infelizmente, é um Portugal fortemente estrutural.
Efectivamente, de pouco servirá à eficiência global da Administração Pública a abertura de “vias verdes” que, facilitando sem dúvida a vida aos cidadãos, mantêm intocável uma gigantesca máquina burocrática de entidades (institutos, direcções gerais e regionais, agências…) de utilidade duvidosa. Aqui, a verdadeira reforma, que tem de começar pela definição das funções do Estado e respectivos processos de suporte, continua por fazer, apesar das promessas do PRACE. Da mesma forma, de pouco valerão mais computadores no ensino que não for assegurada um novo modelo de gestão das escolas e da sua interacção com a comunidade envolvente. De pouco servirá apregoar a eficiência energética de alguns edifícios se o nosso património urbano se continuar a degradar com as leis de arrendamento arcaicas que temos. Ou pouco conforto nos darão alguns investimentos em sectores de ponta da economia (que são bem-vindos) quando o grosso do nosso tecido produtivo (PME´s) encontram contextos extremamente desfavoráveis para a sua competitividade e sobrevivência (ex. fiscalidade, legislação laboral, apenas para citar os mais evidentes).
Como tal, estas narrativas levam-nos a percepcionar dois “Portugais” mas sem um discurso claro e transparente que nos permita vislumbrar soluções. O caminho possível: começar por reformas nas questões estruturais mas também construir uma visão estratégica de futuro que inclua algumas das boas ideias deste Portugal emergente. Será que o “sectarismo” e o “fundamentalismo” que estão em voga na política portuguesa permitirão este discurso construtivo?

Thursday, August 20, 2009

Política: Estratégia, Execução e Impacto

No advento deste novo e intenso ciclo eleitoral que se avizinha, a Política voltará a estar no centro das atenções do país real. Voltaremos, seguramente ao velho tema da imagem e da percepção do cidadão comum. De facto, falando de Política, dos Partidos e dos Políticos, de uma forma geral, todos concordarão que, numa primeira reacção, não despertam hoje a simpatia da maioria das pessoas. É quase consensual a sensação de que a Politica se encontra, desde há muito, numa crise de confiança e credibilidade, fenómeno reconhecido na maioria das sociedades ocidentais.
As causas são, efectivamente, complexas. Contudo, atrevo-me a simplificar e a afirmar que tal dever-se-á, essencialmente, a 5 factores:
A) A falta de sintonia, muitas vezes, entre a agenda do poder político e a realidade vivida e sentida pelas pessoas. Os problemas quotidianos, que afectam a felicidade e qualidade de vida dos cidadãos passam frequentemente ao lado da agenda política. A política deixou de estar centrada no Homem e passou a estar centrada em jogos de curto prazo, de manutenção de poder. Nos EUA, Obama, com perspicácia, reparou nesta evidência e foi esse discurso mais sensato (que muitos consideraram apenas “generalista”) que lhe garantiu a vitória.
B) A percepção de irrelevância ou incapacidade de marcar a diferença por parte do poder político. Efectivamente, a noção de que os problemas mais graves já estão numa esfera extra-política (ex. crise financeira mundial), em que os governos pouco ou nada conseguem alterar ou que existirão sempre forças e grupos de bloqueio, que impedirão as reformas (situação notada hoje em Portugal), levam a alheamento e ao conformismo das pessoas.
c) A frequente falta de coerência entre compromissos assumidos e aquilo que é efectivamente realizado. É a velha questão de falar verdade a priori e da precipitada (errada) assumpcão de promessas que, mais tarde, não se poderão cumprir porque, afinal, “a situação era bem pior do que esperávamos”. Quantas vezes já vimos isto?
d) O distanciamento entre eleitores e eleitos, que supostamente representam as populações. De facto, por detrás das paredes ainda muito opacas das Instituições e dos Partidos, estão frequentemente políticos anónimos, que não são reconhecidos nem conhecem os meios que os elegeram.
e) A clareza nas ideias e nos projectos políticos concretos. Desde há muito que, com o apregoado fim das ideologias, o “politicamente correcto” se transformou no “politicamente cinzento”. Atrás de generalidades (que, não poucas vezes, são um sintoma de falta de conhecimento técnico dos problemas) é hoje difícil a qualquer eleitor discernir princípios políticos e propostas de acção coerentes. Há sempre a sensação que é mais do mesmo e a coragem de clarificar não abunda. Mas quem o faz, quem diz o que quer e para onde vai, geralmente ganha com isso. Um exemplo bem recente: Nicolas Sarkozy!
Coloca-se-nos então a interrogação: tudo isto será um sinal da irreversível decadência das Democracias? Não alinho em visões pessimistas ou catastrofistas pelo que, para mim, obviamente que não.
A primeira grande questão: promover a assegurar a Ética. Como em tudo na vida, a Ética trará responsabilidade, transparência nas propostas e confiança nas Pessoas e Instituições.
Mas haverá outro caminho complementar, mais técnico e instrumental: garantir que a política tem impacto, que tem consequências, que não é apenas um conjunto de rituais maçudos – em síntese, garantir o alinhamento entre a estratégia (as ideias) e execução (as medidas concretas e o seu poder transformador). Deixo algumas impressões pessoais:
- Promover programas de acção claros, exequíveis, baseados em premissas verdadeiras.
Os partidos, no decurso das suas campanhas eleitorais, teriam tudo a ganhar em apresentar de forma clara, as suas propostas de acção: mostrar as suas razões contextuais, condições de aplicabilidade, prazos estimados e impactos esperados. Quanta credibilidade (e votos) se ganharia com esta forma de actuação?
- Fazer uma melhor ligação entre legislação e regulamentação.
Como é sabido, actualmente, boa parte das leis elaboradas e aprovadas em Portugal, não produzem efeitos – isto é, são inúteis. Ou não são regulamentadas, ou não são respeitadas ou ficam envoltas em polémicas intermináveis. Há que melhorar os processos de produção legislativa para assegurar que as leis tenham uma regulamentação imediata - para que sejam efectivas e não apenas palavras mortas.
- Construir indicadores de desempenho que permitam aferir de forma clara a bondade e pertinência das medidas.
Seria pedagógico que, na actual senda (justificada) das avaliações, se pudessem também construir métricas que validassem, no tempo, a adequação de todas as decisões políticas. Permitiria acabar com polémicas inúteis e permitir, com mais celeridade, medidas correctivas. Como se diz e bem no mundo da gestão, “o que não pode ser medido, não pode ser gerido”.
- Responsabilizar quem decide e quem executa.
No País em que, tradicionalmente, “a culpa morre sempre solteira”, seria bom que, sem quaisquer dramas, os sucessos e os momentos menos bons tivessem rostos. De preferência, rostos de Líderes, que soubessem assumir as suas responsabilidades, fossem recompensados pelos seus méritos e fossem exemplos a seguir neste mundo sempre complexo da gestão e da decisão públicas.
Deixo apenas estas ideias soltas e bem sei que não são novidades absolutas. Mas, estou convicto, fazem todo o sentido por estes dias!

Tuesday, August 18, 2009

Economia Social: uma realidade a ter em conta (Jornal Registo, 17/08/2009)

A actual crise económica, directamente derivada da crise que afectou os mercados financeiros a nível mundial, tem sido acompanhada por um desajustado (e injusto!) combate ideológico ao capitalismo e aos fundamentos de uma economia liberal de mercado. Não pretendo aqui entrar nessa luta que, para os seus promotores, estará condenada ao fracasso. Para qualquer pessoa que tenha uma noção mínima da história da humanidade nos últimos 30 anos, são evidentes os resultados obtidos por este fenómeno da globalização, impulsionado pelo referido capitalismo: diminuição da pobreza, melhores níveis globais de educação e literacia, reforço da transparência e das liberdades individuais um pouco por todo o mundo.
Mas, não obstante, concedo razão àqueles que afirmam que nada ficará na mesma. As questões da ética, da regulação, da sustentabilidade estarão, cada vez mais, na ordem do dia. Tal como a atenção à satisfação de necessidades ditas sociais que, tipicamente, não estão no topo da agenda de prioridades das empresas com fins lucrativos.
Neste âmbito, convém recordar que desde há alguns anos tem emergido, discretamente mas com crescente importância, um novo sector – a economia social, ou terceiro sector (para contrapor à dicotomia público/ privado).
Esta economia é constituída por cooperativas, sociedades mútuas, associações, fundações, organizações não governamentais (ONG´s) e organizações religiosas, com as mais diversas missões: da solidariedade e assistência à inclusão à simples participação cívica, da dinamização cultural e recreativa à sensibilização para as causas ambientais. Tal representa hoje, a nível europeu, cerca de 8% do total de empresas e instituições colectivas e também cerca de 6% - 8% de todo o emprego.
Para além na nobreza e valor acrescentado para a sociedade da maioria das suas causas e objectivos, este sector apresenta benefícios óbvios:
- ajuda a corrigir os naturais desequilíbrios e excessos do mercado, através de redes de ajuda e solidariedade que permitem que, numa comunidade, se mitiguem as situações de exclusão social;
- não estão sujeitas a fenómenos de deslocalização, pelo que se podem assumir com maior estabilidade e crescente importância no seio de uma região;
- têm um papel importante na promoção do debate e da consciência cívica das comunidades e dos seus agentes (ex. as empresas);
- estimulam o empreendedorismo, quer social, quer empresarial;
Num breve raciocínio, parece-me óbvio que muitas das actuais funções que o Estado desempenha, por vezes de forma pouco eficiente junto das populações, seriam mais bem desempenhadas com o apoio destas instituições. Têm missões bem definidas, um conhecimento das especificidades locais e podem, naturalmente, ser reguladas e monitorizadas em termos de cumprimento de objectivos e impacto social.
Convinha, pois, que num período de grande e necessário debate (e alguma crispação) sobre o Estado que queremos (omnipresente para uns, mínimo para outros), pudéssemos chegar a um primeiro consenso sobre o papel intermédio do sector social. Que deverá, naturalmente, merecer uma maior atenção a nível dos enquadramentos legislativos e regulamentares, ainda incipientes quando comparados com o sector privado.


Carlos Sezões

Tuesday, August 11, 2009

Atracção de Investimento – a caça ao tesouro do século XXI (Jornal Registo - 03/08)


Atracção de investimento! – eis um desejo repetido até à exaustão, por qualquer responsável político, desde o presidente de uma pequena autarquia até ao primeiro-ministro de Portugal (especialmente nestes tempos de eleições). Desejo legítimo, em especial se for um investimento de grande dimensão, criador de emprego e reprodutivo de riqueza. Mas, questiono-me, será que todos terão a real noção das condições estruturantes para tornar um país, uma região ou uma cidade apelativos para atrair os tão ansiados investimentos?
Falamos, pois, do conceito de Competitividade. E hoje não é segredo para ninguém que, actualmente, a competição por investimentos faz-se a nível global. Como tal, Portugal compete com a Eslováquia pela captação de investimentos, como, na escala regional, o Alentejo concorre com a Andaluzia, em Espanha, ou com a Baviera, na Alemanha, perante investidores cada vez mais rigorosos e escrutinadores.
De uma forma simplificada, são essencialmente quatro as questões valorizadas no processo de decisão: os mercados, o capital humano, as condições logísticas, e o “ambiente social” envolvente.
A proximidade dos mercados é naturalmente um constrangimento geográfico. Aqui, não se pode, a curto prazo, mudar as variáveis. Por exemplo, o mercado interno do Alentejo, com pouco mais de 500.000 habitantes não será, por si só, aliciante suficiente para a grande maioria dos sectores. Como tal, não deveremos apostar em projectos de impacto maior (inter-regional e transfronteiriço)? As condições logísticas estão intimamente relacionadas com a questão anterior. Perante necessidades de abastecimentos de matérias-primas ou transportes de produtos acabados, será necessário ter redes de acessibilidades e infra-estruturas logísticas para que tornem competitiva uma determinada localização. Questão que se me coloca neste ponto: estaremos a planear as nossas infra-estruturas em função dos investimentos que queremos atrair e dos mercados onde queremos operar?
A questão dos recursos humanos, é também elementar. Apenas sociedades com bons níveis de qualificações e competências poderão atrair investimento com grande valor acrescentado, especialmente nas chamadas indústrias do conhecimento. Por exemplo, ainda não há muitos anos, noticiava-se que Portugal tinha perdido dois grandes investimentos nas áreas das tecnologias de informação por manifesta falta de graduados em engenharia informática. Como aprimorar a afinidade entre a nossa vida académica e a empregabilidade empresarial?
O “ambiente social” envolvente, com as suas componentes ética, legislativa, regulamentar e fiscal é também cada vez mais avaliado e ponderado. Não é, pois, de admirar que ainda causem receios a muitos investidores a burocracia e morosidade das decisões públicas (ex. licenciamentos), a inércia da justiça (especialmente em situações de litígios e incumprimentos), a elevada pressão da fiscalidade (que é um obstáculo à saúde financeira e ao reinvestimento dos projectos) ou a cultura de pouco rigor existente nas relações empresariais (exemplo: não pagar a horas!).
Sendo práticos e objectivos, agindo sobre os factores que realmente poderemos controlar ou influenciar, será possível obter melhores “mapas” e “instrumentos de orientação” para esta autêntica “caça ao tesouro”. Haverá vontade para tal?

Tuesday, July 21, 2009

Responsabilidade Social: não é moda, é necessidade! (Jornal Registo - 20/07)


Falar de Responsabilidade Social das Empresas (RSE), em contexto de crise, poderá parecer despropositado. Efectivamente, para muitos líderes empresariais, a rendibilidade e a sobrevivência serão, em muitos casos, as primeiras e únicas preocupações. Mas, quando a “poeira” da crise assentar, a Responsabilidade Social terá um papel incontornável no relacionamento das empresas com as comunidades em que estão inseridas.
Mas o que significa na prática a RSE? Pode definir-se como o compromisso da Empresa em contribuir, de forma voluntária, para um impacto positivo dos seus negócios na sustentabilidade (ambiental, social e económica) e na qualidade de vida das populações. Com efeito, é hoje consensual que uma Empresa é um sistema aberto em permanente interacção com o seu meio envolvente. As questões sociais, culturais, ambientais e políticas são relevantes para o próprio sucesso das organizações pelo que deverão estar no topo da agenda dos gestores. Assim, fazer negócios, hoje em dia, não pode ter apenas a maximização do lucro como única e última meta. A Empresa deverá atender aos valores éticos e morais bem como tentar, dentro das suas limitações, contribuir para criar valor acrescentado na Comunidade.
Para que um plano global, nesta área, não seja apenas uma visão filantrópica (perspectiva extremamente redutora), a Empresa deverá efectuar uma análise mais vasta, que englobe todos os “públicos” pertinentes. Por exemplo, para os seus colaboradores, para além da questão das remunerações e incentivos contratualmente consagrados, será uma boa prática a definição de benefícios que promovam a qualidade de vida e o equilíbrio profissional/ pessoal. Para Fornecedores e Clientes, dever-se-ão focar os aspectos éticos, de conformidade legal e de respeito por princípios consensuais (direitos humanos e laborais, luta contra a corrupção, etc) – portanto, as Empresas deverão ser exigentes consigo próprias e com os seus parceiros. Para a Comunidade envolvente, a defesa do ambiente será uma área pertinente, especialmente se a empresa tem actividades de produção industrial ou serviços produtores de resíduos. Aqui torna-se essencial instituir padrões de qualidade ecológica, comunicando a postura ambiental da empresa. O mecenato educativo e cultural (através da conservação e promoção do património e apoio à criação cultural) ou a promoção de boas práticas educativas (bolsas de estudo e de investigação) também será de equacionar. Como último exemplo, o apoio social a segmentos carenciados – é também cada vez mais comum o empenhamento das Empresas em acções de caridade perante situações de pobreza ou exclusão social.
Quem pensar que este será um assunto apenas relevante para mega-empresas (EDP, PT, BES, GALP, etc), é favor olhar para aqui bem perto, para a Delta Cafés que, neste contexto, tem uma actuação de enaltecer. Será, efectivamente, esta atenção à sustentabilidade e à responsabilidade social que irá diferenciar as empresas no futuro próximo. Dúvidas? Esperemos pelos próximos 5 anos…

Carlos Sezões

Friday, July 17, 2009

Formação para a Empregabilidade


O desemprego é, cada vez mais, um flagelo dos nossos dias. No Alentejo, em particular, a questão tem uma dimensão exponenciada, visível na taxa de desemprego na ordem dos 10% - 11% e na elevada proporção de pessoas de qualificações elevadas (ensino superior) nesta situação. Grave nos números, dramática na perspectiva pessoal e familiar.

As causas são muitas e variadas (na maioria das vezes de índole estrutural) e não se encontram nas explicações simplistas que alguma demagogia político-partidária, frequentemente, nos veicula pela comunicação social. Desde o nosso modelo ecómico de desenvolvimento (sensível a condicionantes externas), à inflexibilidade do mercado de trabalho, ao carácter incipiente do nosso tecido empresarial, a questões culturais inibidoras da capacidade de iniciativa, do empreendedorismo e da inovação, muitas são as razões desta situação.

Falo aqui, brevemente, de uma que, a meu ver, ainda não tem sido devidamente sublinhada: a questão da formação para a empregabilidade.

Nos dias de hoje, o paradigma da formação de base, útil e suficiente para toda a vida, está esgotado. A mudança acelerada de processos de trabalho, tecnologias, objectivos e exigências dos mercados, características desta nova Era da Globalização e do Conhecimento, tornam essencial a formação contínua e regular ao longo da vida profissional. A capacidade dos indivíduos aperfeiçoarem continuamente novas aptidões técnicas e de, paralelamente, desenvolverem competências comportamentais mais genéricas (liderança, comunicação, trabalho em equipa, orientação para a resolução de problemas, auto-aprendizagem, adaptabilidade) é um factor crítico de sucesso para os desafios do mercado de trabalho.

Ora, o que é que isto tem a ver com o desemprego? Tudo! Seja quais forem os antecendentes de formação de base (seja mais ou menos aprofundada), a capacidade de cada um adquirir e/ou actualizar determinadas competências aumenta o seu nível de empregabilidade e reduz, como tal, as probabilidades de desemprego de longa duração.

Qual o cenário que temos então neste momento? Em Portugal, e com maior incidência no Interior, as formação de base é incipiente (40% dos jovens não concluem o Ensino Secundário e saem do sistema educativo sem qualquer formação profissional) e a superior (concluída por uma minoria) é frequentemente desfasada das realidades do mercado de trabalho da respectiva região. Por outro lado, apesar de não existirem dados objectivos e consolidados, tudo aponta para uma baixa percentagem da população activa a investir/ frequentar formação contínua para aperfeçoamento das suas competências.

Falar, em pormenor, sobre todas as dimensões pertinentes para a questão, exigiria várias páginas. Contudo, de forma resumida, aqui seguem algumas notas e convicções pessoais relativas às prioridades que devem ser consideradas nesta matéria:
- expandir as actuais vias profissionalizantes do ensino secundário, garantindo uma dupla certificação, escolar e profissional;

- apostar em formação para o empreendedorismo (a começar no ensino básico!), estimulando o gosto pelo risco, pela inovação mas garantindo, igualmente, as competências básicas para planear, organizar e gerir com sucesso novos projectos;

- garantir ofertas formativas focalizadas nas competências básicas de gestão para empresários/ gestores de PME’s – fundamental tendo em conta os défices formativos por todos reconhecidos neste segmento.

- orientar os agentes envolvidos na formação para sectores e funções estratégicas, de modo a não termos uma oferta financiada tão extensa e heterogénea como inócua em termos de resultados.

- criar a figura do cheque-educação (ou cheque-formação) – permitindo assim que quem queira investir na sua formação a título pessoal, com evidentes motivações de aperfeiçomento profissional, possa faze-lo apesar dos seus constragimentos financeiros momentâneos;

- reforçar, no actual sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC’s), as valências para análise do perfil de competências de cada indivíduo e respectiva prescrição de áreas a aperfeiçoar (em função da sua função, histórico profissional, evolução de carreira);

No Alentejo, em particular, estas questões são de uma grande premência, tendo em conta o nosso défice estrutural de qualificações. Contudo, a concretização destas e outras acções não deve ser uma missão exclusiva do Estado e da Administração Pública. Importa que Instituições de Ensino, Associações Empresariais e Comerciais, Agências de Desenvolvimento Regional, Fundações e outros interlocutores se empenhem em projectos concretos, com metas e resultados objectivos e monitorizáveis. O novo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) 2007-2013 – em particular, o Programa Operacional Temático Potencial Humano - é uma oportunidade (única) a não desperdiçar.

Em síntese, não sendo o remédio para todos os males, a formação enquanto instrumento para a empregabilidade, poderá ser um factor crítico de sucesso para as estratégias de emprego em Portugal e no Alentejo.

Carlos Sezões
Promotor do Fórum Alentejo 2015

Tuesday, June 30, 2009

Bloco revisto e explicado (Jornal Registo - 29/06/2009)

O grande fenómeno da política portuguesa dos últimos 10 anos é, sem dúvida, o Bloco de Esquerda. De um movimento residual, que foi essencialmente, um restyling do velho PSR, transformou-se num partido do “patamar 10%”, com uma forte implantação no eleitorado jovem e urbano.
Compreendo facilmente porquê e até apresento a seguinte confissão: até simpatizo com o Bloco. É verdade! Simpatizo com a sua irreverência e criatividade, com o facto de se apresentarem com ideias frescas que contrastam com algum “cinzentismo” da classe política portuguesa, com o seu profissionalismo e capacidade de trabalho (ver o trabalho efectuado no Parlamento), com a capacidade de comunicação (e alguma sedução!) de figuras como Ana Drago ou a agora esquecida Joana Amaral Dias.
Em síntese, simpatizo com quase tudo o que é acessório (a forma) para, paradoxalmente, me opor a tudo o que é fundamental (o conteúdo)! Efectivamente, um modelo de país ou sociedade, construído à base das ideias e projectos do Bloco equivale a um filme do género “dramático”, que poderia bem acabar em “terror”.
Primeiro a ideologia. A cartilha, para os mais esquecidos, continua a ser a marxista, entrelaçada nas correntes estalinistas e trotskistas. Como tal, a visão totalitária de sociedade (modelo único), está sempre presente. Depois, os casos concretos. A crise internacional actual (que não tem a ver com excesso de liberalismo ou mercado, mas sim falta de ética e regulação) deu coragem aos senhores do Bloco para, nos seus outdoors, mostrarem a ponta do iceberg. Desde já, sabemos que passaríamos a ter uma economia nacionalizada, centralizada no sector empresarial do Estado (EDP e GALP seriam já as primeiras vítimas). Para quem não se lembra no que isto resultou em 1975, é favor questionar a sabedoria dos mais velhos. Depois (também através de outdoors) ficámos a saber que “quem tem lucro não poderia despedir”. Gesto humano e solidário à primeira vista, desastroso num olhar mais apurado. Efectivamente, poderíamos, no limite, ter um conjunto de empresas, estruturas gigantescas, ineficazes e pouco competitivas, que desde que dessem 1 euro de lucro no final de cada ano, seriam intocáveis. Aqui não haveria possibilidade de criar, de inovar, de reestruturar, de premiar o mérito, de facilitar a empregabilidade dos mais jovens.
Por último (a cereja em cima do bolo), a política externa. Não se limitando a contestar a globalização (demagogia que já seria suficiente, tendo em conta que é consensual que a globalização tirou da pobreza extrema centenas de milhões de pessoas nos últimos 20 anos), o Dr. Louçã assumiu recentemente que também queria Portugal fora da NATO. Como tal, num cenário de incertezas e ameaças globais, teríamos um País fora da sua rede natural de alianças, algo que obrigaria (como faz a Suécia ou a Suiça) a fortes investimentos nas forças armadas – isto se a independência e segurança de Portugal estivesse nas 10 primeiras preocupações do Bloco, coisa que duvido.
Portanto, caro(a) eleitor(a), da próxima vez que a simpatia que tem pelo Bloco o levar a equacionar uma cruz no quadrado respectivo, lembre-se, por favor, da sociedade “forçadamente equalitária”, estagnada e acrítica que teríamos se estes simpáticos senhores e senhoras tivessem real poder de decisão. Fica o desafio à reflexão…

Thursday, June 18, 2009

Capital Humano: que aprendizagens, que competências queremos? (Jornal Registo 15/06/2009)

Tem sido dito e repetido (e bem!) que Portugal deve apostar no desenvolvimento dos seus recursos humanos. Estaremos todos de acordo. Nos tempos que correm, mais do que nunca, serão as pessoas e o seu capital de conhecimentos e competências a marcar a diferença neste mundo globalizado. A questão será por onde começar e o que fazer em concreto.
O actual governo apontou um caminho: o reconhecimento e certificação de competências, base do mediático e emblemático programa “Novas oportunidades”. Nada tenho a opor à bondade das intenções. E reconheço que, para algumas pessoas, destinatárias do programa, seja uma marca de integração e progressão e tenha um carácter simbólico forte. Assim como reconheço o risco da imagem de facilitismo que pode transmitir para o exterior e a fama (seja ela justa ou injusta) de que se está a trabalhar apenas para as estatísticas.
Mas, sinceramente, parece-me pouco e que não será esta a questão essencial e estruturante. As grandes questões serão o nosso modelo de aprendizagem, o que queremos fazer dele e o papel das instituições que o sustentam.
Nas últimas semanas, duas entrevistas que tive a oportunidade de ler reforçaram a as minhas convicções sobre esta matéria. O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, que esteve m Portugal em meados de Maio, veio defender uma reforma bastante radical do modelo de ensino das escolas e das universidades, enfatizando a necessidade de passarmos da actual 'hiperespecialização' para uma aprendizagem mais ampla e generalista, que integre as várias áreas do conhecimento e da cultura, que prepare os jovens lidar com o imprevisto e a mudança, para desenvolver as competências para atacar os problemas gerais e daí partir então para problemas específicos.
Tive também a oportunidade de ler declarações de António Câmara, presidente da YDreams, empresa portuguesa pioneira mundial em soluções tecnológicas de interactividade e realidade virtual. A sua tese é simples e directa: a aprendizagem e inovação na Europa (e em Portugal) têm um modelo arcaico e ineficiente, pouco viradas para o empreendedorismo e para o impacto no tecido empresarial – tudo “embrulhado” em muita burocracia e poucos resultados.
Daqui, atrevo-me a deduzir dois corolários: 1) não estamos a preparar as novas gerações com os conteúdos e conhecimentos essenciais à sua cidadania e à sua empregabilidade neste século XXI; e 2) não estamos a criar oportunidades para uma aprendizagem mais experimental, “vivencial”, que permita partir rapidamente do conhecimento para a aplicabilidade – e, nas áreas empresariais e tecnológicas, tal será essencial.
Perguntas: será que a energia e recursos aplicados noutras prioridades não poderiam, com maior retorno, ser aplicados na criação de modelos ou projectos-piloto (ex. uma nova universidade de excelência) que tornassem Portugal um case-study mundial e um dos lugar mais atractivos e vibrantes para estudar, investigar e começar uma vida profissional? Em que, efectivamente, se investisse na formação e desenvolvimento de competências pertinentes para cada jovem poder enfrentar os desafios destes novos tempos? Requisito essencial: vontade política!

Carlos Sezões

Sunday, June 14, 2009

A dívida que fica...



A imagem da capa da última edição da The Economist, vale mais que mil palavras. O massivo investimento público que a corrente crise originou deixará um lastro de dívida pública que poderá ser insustentável para as próximas gerações. Em Portugal, caso paradigmático, que discute agora a pertinência (e mais valias) de grande investimentos em infra-estruturas, deverá pensar e repensar esta matéria...antes que seja tarde demais!

Monday, June 08, 2009

Estado de Direito ou República das Bananas?

Cena inédita e (quase) surreal: centenas de polícias em plena manifestação junto à residência do primeiro-ministro, arremessavam os seus bonés para a rua, onde até, por acaso, iam passando alguns carros que se tornaram alvos involuntários. Os cântigos destes "agentes da autoridade" mimavam o PM como "mentiroso". Se existem imagens representativas e sintomáticas do estado a que chegou o Estado, esta é uma das mais marcantes. Para qualquer cidadão é óbvio que este Estado perdeu o respeito e não se dá ao respeito e que, aparentemente, nem consegue garantir o bom desempenho das mais básicas funções de soberania e segurança. Não se admirem com o aumento das abstenções e dos votos extremistas...

Wednesday, June 03, 2009

Fantasmos do passado...

Antigos dirigentes socialistas e social-democratas de países europeus, incluindo Mário Soares, divulgaram hoje uma declaração defendendo uma nova maioria no Parlamento Europeu que permita a apresentação de um candidato socialista à presidência da Comissão Europeia.
"O Partido Popular Europeu (PPE) já apoiou o seu candidato oficial à presidência da Comissão Europeia. É com expectativa que os socialistas e social-democratas e outros progressistas esperam um candidato oriundo do Partido Socialista Europeu, único partido europeu que pode apresentar uma alternativa à direcção europeia do PPE", refere a declaração assinada por oito antigos dirigentes.
Felipe Gonzalez (Espanha), Lionel Jospin (França), Gerard Schroeder (Alemanha), Paavo Lipponen (Finlândia), Constantino Simitis, (Grécia) e Franz Vranitzky (Áustria) são os antigos primeiros-ministros que assinam a declaração, subscrita ainda por Aleksander Kwasnieski, antigo presidente da Polónia.

In DN

É paradoxal (ou talvez não) esta coligação de figuras do passado que, sem qualquer projecto alternativo, apregoam o seu preconceito ideológico-obsessivo com a Comissão Barroso. Bem dizia Tony Blair: mais do que esquerda ou direita, o combate ideológico faz-se hoje entre a abertura e as possibilidades entusiasmantes da globalização e as mentes fechadas, saudosas dos proteccionismos do passado.

Monday, June 01, 2009

Liderança e Mudança na agenda de Portugal (Jornal Registo - 01/06/2009)

Muitos e diversos diagnósticos circulam, desde há muito, pela sociedade portuguesa sobre a essência (e em muitos casos o fatalismo) de “ser Português”. De facto, é consensual que as dimensões culturais são importantíssimas para compreender as atitudes e comportamentos dos Povos perante os desafios que se lhes colocam. A nossa “latinidade” explica muitas coisas: a rejeição da incerteza e do risco, a enorme preocupação com a segurança, a ansiedade e a pouca auto-confiança, o culto da hierarquia, a pouca orientação para o desempenho, os resultados e o mérito. Tudo isto ajuda a explicar a necessidade que temos, periodicamente, de “homens providenciais”. Depois, a nossa história muito própria traz mais condimentos. O sebastianismo, a acomodação ao Estado, o fado e a saudade, a esperança que venha de fora (as colónias primeiro, a Europa depois) a solução para restaurar a nossa grandeza, a nossa riqueza ou, apenas, alguma qualidade de vida (fraca ambição que restou das muitas ambições de séculos).
Contudo, penso (desde já, confesso, com optimismo) que nada disto é inevitável e imutável. Para além das nossas muitas qualidades (sim, também as temos!), nas dimensões da nossa vida – a nível social, económico, político e outras - necessitamos de algo que nos faz bastante falta, como compensação para as questões que atrás mencionei: Liderança. Liderança nas empresas, liderança no Estado central, liderança nas autarquias, nas Universidades e noutras organizações e sistemas sociais. Liderar significa não estar apenas a gerir o dia-a-dia, a assegurar os processos correntes, de olhar constantemente para o lado e para trás e ver se todos concordam connosco. Liderar significa olhar em frente, ter uma visão estratégica, de longo prazo, e mobilizar vontades para a atingir. Significa compromisso emocional e participação. Significa encarar e ponderar os riscos e tomar decisões com firmeza e sentido definido.
Olhemos para o mundo empresarial. As empresas bem sucedidas (conheço várias, na minha actividade profissional), com níveis de rentabilidade e de sustentabilidade ao longo do tempo não são fruto do acaso. São consequência da sua história, da forma como Líderes conseguiram promover os seus valores e as suas estratégias e de como conjuntos de pessoas (por vezes, gerações de pessoas), comprometidas com a missão da Organização, conseguiram manter elevados níveis de motivação, trabalho e resultados. Talvez precisemos destes exemplos na sociedade portuguesa, de uma forma mais transversal.
Mas, neste contexto, olhando para a nossa conjuntura política actual, não resisto a perguntar: necessitamos de um governo omnipresente, tentacular na sua influência, receoso da crítica e do “activismo” da sociedade civil e com um discurso paternalista do tipo “não se preocupem, nós tratamos de tudo”? Será um bom exemplo? Sinceramente, penso que não. Necessitamos antes de governos responsáveis, mas desafiantes, que assumam os riscos e sejam reformistas na substância e não apenas no papel. Que sejam Líderes…e não apenas gestores do pouco que ainda há para gerir.

Carlos Sezões

Friday, February 13, 2009

Linhas Tortas

Acréscimo da procura? Aumento da concorrência? Possivelmente ambos. E segundo o Telegraph, falamos dum concorrente directo ao vinho.

Mais uma má notícia, portanto, para a indústria nacional. :)

http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/4602051/Cocaine-cheaper-than-lager-and-wine-as-drug-price-falls-by-half.html

Sunday, February 01, 2009

Gestão de Crise

Despertar é, para mim, um processo penoso, longo e faseado.

Começa na cedência diária em me levantar à hora ditada pelo despertador. Com o café da manhã, a consciência já me permite conduzir e receber o Destak pela janela, mas pouco mais. Só ao chegar ao escritório, ao me deparar com os os meus colegas e computador, aí me apercebo que o dia começou. E começava por regra bem , até há cerca de dois meses.

Foi por essa altura que uma nobre instituição que a Pátria Lusitana criou e promoveu, carinhosamente designada de "crise", perdeu dignidade ao ser diariamente invocada nos noticiários para justificar despedimentos, encerramentos de empresas e quejandos dramas sociais.

Uma empresa despedia 800 trabalhadores. ou 50. Ou 10. Ou 2 administradores corruptos. Três empresas com mais de 30 anos de estória e História fechavam. Ou duas. Ou uma. Tudo o que aparecesse na temática era passível de ser notícia, pois fazia parte desse grande tema que merece ser desenvolvido pelo jornalismo profissional - a saber, "a crise".

Cedo me apercebi que as manhãs custavam mais a passar e que a atenção no trânsito precisava de ser redobrada - isto porque a "crise" deixou os seus contornos financeiros e entrou na mente das pessoas, abespinhando-as, esmagando-as em todos os notíciários na rádio, todos os artigos fora da imprensa cor de rosa, todos os espaços noticiosos televisivos.

Esta "crise" mental entrou igualmente dentro da cabeça dos decisores de empresas e gestores que, mesmo no caso de projectos cabimentados com orçamentos aprovados, agora dizem: "vamos aguardar". Isto porque as poucas certezas que há é que, nos noticiários, não há uma única réstia de esperança que justifique fé na recuperação económica.

A dinâmica social é fortemente influenciada pelos media, já dizia o Macluhan à sua maneira. E os media pelos seus editores, cuja preocupação é sobreviver à "crise" e manter a mesma tiragem da sua publicação. E desde Dezembro que colocam todos os dramas, despedimentos e sangue social à mostra na sua vitrine.

Ora desde Dezembro, que seja do meu conhecimento, criaram-se 6 novas empresas. A nossa contratou mais uma pessoa. Uma outra contratou mais duas. Um parceiro nosso, freelancer, tem três ofertas de trabalho a tempo inteiro. E a procura dos nossos serviços está a aumentar.

Faz falta um órgão de comunicação social que se foque em comunicar aspectos positivos da dinâmica social nacional. Um ou dois. Há matéria nesse sentido e se queremos fomentar uma cultura de risco, uma cultura de inovação, não bastam apenas os maus exemplos.

Doutra forma, a crise que sempre conhecemos como instituição corre o risco de ser o nosso epitáfio.

Falsas Partidas

Há um ror de tempo que o Carlos me colocou o desafio de participar neste espaço e só agora, no lugar devido, posso agradecer a paciência dele com esta e tantos outros fiascos pessoais com ele - obrigado, Carlos.

Obrigado também por quereres fazer deste um espaço de discussão, sabendo de antemão que discordamos em aspectos essenciais e supérfluos da intervenção política na sociedade. Debater sem pedras no sapato é a melhor forma de encontrarmos o melhor caminho e percorrê-lo, a correr. Quem sabe, ainda sai daqui uma equipa de estafeta. :)

Assim espero.

Vamos lá.

Friday, July 25, 2008

Diferentes níveis de desenvolvimento e literacia?

Ontem, em Berlim, aplaudia-se Obama. Em Lisboa, quase à mesma hora, aplaudia-se Chavéz...

Monday, February 25, 2008

Uma dúvida que me assalta...

...Porque é que, nas últimas três ou quatro semanas, não ouvi qualquer notícia favorável ou qualquer comentário simpático para o PSD. Será azar? Conspiração da comunicação social? Não, não me parece...

Uma promessa que (para variar) bem podia ter sido cumprida...

A questão da empregabilidade, sempre menosprezada pelos decisores políticos...

Tuesday, February 19, 2008

Decisões que chegam com 40 anos de atraso...

Fidel Castro renunciou à presidência de Cuba

Monday, February 18, 2008

Reinventar a roda?

A questão da avaliação dos professores já começa a parecer um processo surreal, quase kafkiano. Para qualquer alma com o mínimo de bom senso e de honestidade intelectual, avaliar o desempenho dos professores deste país deverá parecer uma necessidade óbvia. Como tal, as sucessivas resistências que aparecem de múltiplos quadrantes parecem-me sustentadas em alguma má fé e numa visão pouco ambiciosa do que deve ser a Educação em Portugal. Se chegarmos ao consenso que tal deve ser feito (não me parece difícil), falta-nos apenas aprovar o método.

Sem querer parecer simplista, as boas metodologias de avaliação da performance já existem e já deram provas no meio empresarial. De forma sintética, é ter em conta indicadores concretos alinhados com os objectivos e algum feedback quantitativo e qualitativo dos "interessados" no processo. E quais serão eles, neste contexto? Os próprios professores (auto-avaliação), os alunos, os seus pais e a direcção da própria escola. Definam-se esses indicadores e atribuam-se ponderações. E que arranque então o processo. Pela confusão e falta de objectividade que tenho ouvido em relação às metodologias de avaliação, parece que muitos andam preocupados em reinventar a roda...

Monday, February 11, 2008

Um problema totalmente novo na justiça portuguesa...

Apito Dourado: defesa de Valentim Loureiro alerta para "excesso de celeridade"

Obama e o estigma da experiência

Toda a Europa, Portugal incluído, vibra com as vitórias sucessivas de Obama e acredita que um novo ciclo está a emergir do outro lado do Atlântico. Percebe-se o entusiasmo. O homem tem carisma, determinação e uma história de vida que parecem eleva-lo à categoria de predestinado. O seu discurso, agrada ao centro e à esquerda europeias mas também não cria aversão junto da direita. Eu próprio, confesso, sinto alguma inclinação emocional para o tipo e, no presente contexto, não tenho dúvidas que será o candidato democrata com maiores hipóteses de ser eleito Presidente em Novembro.

Mas, no actual confronto com Hillary e na previsível disputa com McCain, enfrenta um estigma do qual se terá de livrar: a questão da experiência. Tanto a ex-primeira dama como o velho herói de guerra apresentam credenciais que, num mundo globalizado, imprevisível e cada vez mais perigoso, podem levar, racionalmente, a algumas hesitações no momento da verdade para o eleitor americano. Hillary passou 8 anos a coadjuvar o marido, no período de maior hegemonia política e económica dos EUA no mundo e McCain já conta com muitos anos de política ao mais alto nível, a somar a credibilidade de militar que foi nas décadas de 60 e 70.

Obama é um político notável de 46 anos, senador há apenas 3, com uma aura de visionário e sonhador que remete para Kennedy, mas terá de convencer que, para além do discurso entusiaste e das propostas de política interna (educação, saúde, segurança social), nas quais não diverge muito da sua colega de partido, tem a maturidade e o status suficiente para chefiar os EUA na luta contra o terrorismo . A seu favor terá o argumento de que muitos dos grandes Presidentes americanos chegaram ao cargo com a fama (merecida) da inexperiência: basta lembrar Lincoln, Kennedy ou Reagan. Veremos se bastará...

Friday, February 08, 2008

Para os pensadores da blogosfera...

4 P's do Blog Marketing

Passionate - Write about issues that are near and dear to your heart.
Purposeful - Make sure you keep the end in mind; why are you blogging?
Present - Keep an eye on what’s topical today.
Positional - Take a stand on an issue and follow it.

in The Four P’s of Blog Marketing, Steve Rubel

Tuesday, February 05, 2008

Just see the movie! (1)


Cloverfield
Tive a oportunidade de ver Cloverfield na semana passada, sem grandes expectativas mas com alguma curiosidade. Numa palavra: magnífico! Produzido por J.J. Abrams, criador de Lost, é vivamente aconselhado a apreciadores de filmes catástrofe-ficção científica, com uma carga emocional intensa. Suspense e perplexidade do primeiro ao último minuto, com sequências de cortar a respiração. O contexto descreve-se rapidamente: 5 jovens de Nova Iorque organizam uma festa de despedida para um amigo, que está de partida para o Japão. Nessa mesma noite, um monstro, de proporções gigantescas, começa a arrasar a cidade. Todo o filme é visionado na perspectiva da câmara de vídeo de um dos jovens, sendo, basicamente, uma epopeia de sobrevivência. O medo explorado pela câmara que nos insere na acção (que, inevitavelmente, nos envolve em tempo real), a coragem das grandes decisões, os pequenos dramas da existência humana confrontados com uma catástrofe inimaginável, tudo encontramos neste filme. Tudo isto conseguido com um conjunto de actores, na maioria desconhecidos, mas com uma prestação à altura da ambição da história. Não tenho dúvidas: é um novo filme de culto!

Saturday, February 02, 2008

Esqueletos no armário...

Casos mal resolvidos no passado, provavelmente, todos os políticos os terão. Não convém, sobre isso, ter quaisquer ilusões. Mas, no caso do actual Primeiro-Ministro, o número de situações estranhas já começa a pesar.

Depois da licenciatura na conceituada Universidade Independente, da questão da (falsa) titularidade dos projectos de arquitectura na Guarda, aparece agora a notícia do (indevido) subsídio de exclusividade da Assembleia da República, entre finais de 1988 e princípios de 1992, por acumular as suas funções parlamentares com a actividade profissional de engenheiro técnico.

Provavelmente, poder-se-á pensar que este é apenas um retrato paradigmático, que reflecte o "padrão" dos nossos quadros políticos que, nestas matérias, não souberam sair da lógica do chico-espertismo tão português. Mas...devemos olhar conformados?

Wednesday, January 30, 2008

A determinação de Sócrates

A determinação, persistência e (suposta) indiferença do PM pelos assobios, parece ter terminado. Sócrates, fiel à sua cartilha, assustou-se com as sondagens e livrou-se de um ministro que, todos os dias, lhe tirava umas décimas de popularidade. Em termos de longo prazo, fez mal. A partir de agora, já nenhum dos sectores resistentes à mudança se inibirá. O ministro da Saúde cessante, apesar da sua inabilidade política na gestão das reformas, tinha pelo menos um projecto para o Serviço Nacional de Saúde cuja racionalização, quer queiramos ou não, é inevitável. Ao afastá-lo, cria a sensação que, com 2009 à vista, a agenda eleitoral levará a melhor sobre a agenda reformista. E isso poderá ser-lhe fatal...

Tuesday, January 29, 2008

Corrupções, clientelismos e outras tradições

A questão do combate à corrupção está na moda. Hoje, como há 10 e há 15 anos atrás. Provavelmente, daqui a 5 anos, estaremos a repetir os mesmos lugares comuns. Infelizmente, mesmo nas vozes (supostamente) mais avisadas, o esclarecimento não abunda. O inimitável novo bastonário dos advogados clama contra determinadas prática e embrulha, tudo junto, actos de ética duvidosa com actos de corrupção, passíveis de serem considerados ilícitos criminais. Na sequência das suas afirmações, muitos já vieram defender a imoralidade de estar na política e depois passar para o sector privado. O que pretenderiam? Que, uma vez político, político toda a vida? Ou que o Estado subsidiasse essas pessoas para nunca mais trabalharem na vida? Enfim, uma embrulhada. Não é separando políticos dos outros cidadãos, com fronteiras estanques. A questão da corrupção é, naturalmente, algo mais profundo que a maioria dos exemplos do senhor bastonário. Passa pelo clientelismo, pelo tráfico de influências, pela quase tradição social do dar e receber algo em troca, pela falta de consideração e respeito pelo Estado e pela "coisa pública". É uma questão cultural como defende, e bem, Paulo Morgado no seu novo livro "O Corrupto e o Diabo", que se alimenta da tolerância social, dos brandos costumes, da burocracia estagnante da nossa administração pública. E da falta de vontade de levar o apuramento de responsabilidades até ao fim, nos casos de alta corrupção. Quando a natureza humana se inclina para tal e o contexto ajuda, só há uma coisa a (tentar) fazer: mudar o contexto...

Sunday, January 27, 2008

E a si, quem o leva a sério?

Na sua ânsia de aparecer a qualquer preço, o líder (?) do PSD e presumivelmente da oposição ao governo PS veio, a reboque do CDS-PP, atacar a ASAE.
Secundando o seu deputado-cantor algarvio Mendes Bota (que comparou a ASAE à PIDE ),diz ele, numa intervenção em Ovar, entre outras vulgaridades, que os feirantes não são "gangsters de Chicago". Pois a minha pergunta é: será que o corajoso Luis Filipe Menezes, se fosse um funcionário da ASAE ia apreender mercadoria a uma feira sozinho?
Estamos a falar de locais onde se sabe que a multidão de feirantes se protege entre si e que tornariam uma fiscalização completamente inútil ,se fosse feita por meia dúzia de inspectores!
Era vê-los a desaparecer com a mercadoria (toda legal e com a respectiva factura de aquisição, como sabemos...) e todos lhe perdiam o rasto! Agora que penso nisso, gostava de ver uma declaração de IRS de um feirante... só por curiosidade...
Assim, há-de ganhar muitos votos dos comerciantes honestos que pagam aluguer de loja, electricidade, água, aos funcionários e que - pasme-se- até vendem mercadoria verdadeira.
A ASAE é condenada por ser um dos poucos organismos públicos que efectivamente funciona neste país e faz cumprir a lei e por isso merece todo o meu apoio.
Não conheço os gostos do sr Luis Filipe Menezes, mas eu dispenso na minha dieta os ratos nas padarias, as baratas nos restaurantes chineses, os bifes que resultam de abates clandestinos e engordados com anabolisantes ilegais, assim como se fosse fabricante da Levi's, Adidas, Lacoste, CK, entre muitos outros também apoiaria que não me dessem cabo do negócio.
Erros, quem não os comete? A começar pelos militantes do PSD...